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Colheita do milho inverno 2025/26: 84,7% colhido, ritmo abaixo da média

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) atualizou o andamento da colheita do milho de inverno (safra 2025/26) no Brasil, registrando 84,7% da área total colhida até o momento. O dado representa um avanço semanal de 6,5 pontos percentuais, mantendo a tendência de ligeira aceleração nas últimas semanas.

Apesar do progresso, o ritmo atual segue inferior ao observado no mesmo período do ano passado e também abaixo da média histórica para a safra de inverno nos últimos cinco anos. Esse descolamento sinaliza possíveis impactos nas janelas de comercialização e na logística de escoamento, especialmente em regiões onde a umidade ainda dificulta os trabalhos de campo.

O comparativo com a safra anterior revela uma diferença significativa: em 2024/25, a colheita já havia ultrapassado os 90% neste mesmo estágio do calendário. A média quinquenal, por sua vez, gira em torno de 87% a 88% para o período, o que coloca a safra atual em desvantagem de cerca de 2 a 3 pontos percentuais.

Para produtores e investidores, o atraso relativo pode ser interpretado de duas formas. Por um lado, a oferta imediata de milho no mercado spot tende a ser menor, o que pode sustentar prêmios de preço nas regiões consumidoras. Por outro, a concentração da colheita em um período mais curto no final do ciclo eleva o risco de congestionamento logístico e de perdas qualitativas caso o clima não coopere nas áreas remanescentes.

Regionalmente, os estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso e Goiás, lideram o avanço, com índices acima de 90% em algumas localidades. No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul apresentam progresso mais lento, reflexo de chuvas irregulares e de umidade excessiva do solo em parte das lavouras semeadas tardiamente.

A safra de inverno 2025/26 foi marcada por um plantio ligeiramente atrasado em relação ao ideal, em função da janela de colheita da soja. Esse atraso inicial se propagou para a colheita do milho, que agora enfrenta o desafio de concluir os trabalhos antes do período de maior instabilidade climática típico do final do outono.

Do ponto de vista mercadológico, a oferta total de milho no Brasil deve permanecer confortável, considerando a estimativa recorde de produção para a safra total (verão + inverno). No entanto, o ritmo mais lento da colheita de inverno pode criar gargalos pontuais de abastecimento, especialmente para as indústrias de ração e etanol que dependem do cereal como matéria-prima.

Para os investidores, o cenário recomenda atenção aos spreads de base entre as regiões produtoras e os centros consumidores. Atrasos na colheita tendem a comprimir a diferença entre o preço no interior e nos portos, favorecendo operações de compra futura ou de hedge para entrega em prazos mais longos.

A Conab manterá o acompanhamento semanal, e o próximo boletim, previsto para a semana seguinte, deve indicar se a aceleração observada será suficiente para recuperar o atraso frente à média histórica. Dependendo das condições climáticas, a colheita pode ser concluída entre o final de agosto e o início de setembro, dentro da janela normal para a safra de inverno.

Em resumo, o avanço para 84,7% da área colhida confirma a normalidade operacional da safra, mas o ritmo abaixo da média serve como alerta para produtores e investidores monitorarem de perto os próximos dias. A gestão de riscos logísticos e de preços será determinante para a rentabilidade do milho de inverno 2025/26.

Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro