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Custos de soja, milho e algodão sobem em MT na safra 2026/27

O mês de julho registrou nova alta nos custos de produção das principais culturas de Mato Grosso, conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Soja, milho e algodão, pilares do agronegócio estadual, apresentaram elevação mensal nos gastos de custeio para a safra 2026/27, sinalizando pressão adicional sobre as margens dos produtores.

Entre as culturas analisadas, o milho foi o que registrou o maior aumento percentual. O custo de produção da segunda safra mato-grossense subiu 2,1% em relação a junho, impulsionado principalmente pela alta nos fertilizantes e defensivos agrícolas, itens que respondem por parcela significativa do orçamento da lavoura.

A soja, principal commodity do estado, também viu seus custos se elevarem, com avanço de 1,5% no período. O incremento reflete a valorização de insumos como potássio e fósforo, além do reajuste nos preços de sementes e herbicidas, em um contexto de demanda aquecida no mercado internacional.

O algodão, cultura de maior intensidade tecnológica e investimento por hectare, registrou alta de 1,3% nos custos de custeio. Apesar do percentual inferior ao das demais culturas, o impacto absoluto é relevante, dado o elevado valor dos insumos específicos, como reguladores de crescimento e inseticidas para controle de pragas.

Do ponto de vista analítico, essa elevação mensal ocorre em um momento de ajuste de expectativas para a safra 2026/27. Os produtores mato-grossenses enfrentam um cenário de custos ainda elevados, embora abaixo dos picos observados em 2022, quando a guerra na Ucrânia pressionou fortemente as cotações de fertilizantes.

A análise do Imea indica que os custos de custeio da soja em Mato Grosso acumulam alta de 3,8% nos últimos três meses, enquanto o milho acumula 4,2% e o algodão, 2,9%. Essa trajetória ascendente exige planejamento financeiro rigoroso por parte dos agricultores, especialmente em um ambiente de preços das commodities voláteis.

Para os investidores, o movimento sinaliza que as margens de lucro das fazendas podem ser comprimidas caso as cotações internacionais não acompanhem a alta dos insumos. O mercado futuro de soja e milho, por exemplo, já precifica incertezas quanto à demanda chinesa e à oferta global, fatores que podem limitar a rentabilidade.

No caso do algodão, a situação é ainda mais sensível, pois a cultura exige maior capital de giro e está sujeita a variações cambiais. O real desvalorizado frente ao dólar, embora beneficie a receita em moeda nacional, encarece os insumos importados, como defensivos e fertilizantes, criando um efeito contraditório.

O levantamento do Imea também destaca que os custos de mão de obra e logística permanecem estáveis, mas com tendência de alta sazonal para o período de colheita. O transporte de insumos para regiões mais distantes dos centros de distribuição, como o norte e o oeste de Mato Grosso, agrava o custo final.

Diante desse cenário, a recomendação para os produtores é intensificar a gestão de riscos, com uso de hedge de preços e contratos de venda antecipada, além de buscar negociações coletivas para aquisição de insumos. O momento exige cautela, mas não paralisia, já que a demanda global por alimentos e fibras continua robusta.

Para a safra 2026/27, as perspectivas de área plantada em Mato Grosso indicam leve crescimento, mas a rentabilidade dependerá diretamente da capacidade do produtor em controlar os custos. A alta de julho serve como alerta para que o planejamento seja revisado com frequência, incorporando as oscilações de mercado.

Em suma, os números do Imea reforçam a necessidade de uma abordagem estratégica no campo, onde a eficiência produtiva e a gestão financeira são tão importantes quanto o potencial de colheita. O agro mato-grossense segue resiliente, mas os custos crescentes exigem atenção redobrada de todos os elos da cadeia.

Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro