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Conab revisa para cima safra 2025/26 de grãos: 360,75 milhões de toneladas
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou o 11º levantamento da safra 2025/26, elevando a projeção da produção nacional de grãos para 360,75 milhões de toneladas. O número representa um incremento de 2,4% em relação ao ciclo anterior, impulsionado pelo crescimento da área plantada e pelo desempenho robusto de culturas-chave como soja, milho e sorgo.
O avanço na estimativa reflete ajustes positivos tanto na produtividade quanto na área cultivada. A soja, principal commodity do país, deve registrar novo recorde, com produção estimada em 167,5 milhões de toneladas, alta de 1,8% sobre a safra passada. O milho, por sua vez, projeta 129,3 milhões de toneladas, com destaque para a segunda safra, que responde por cerca de 70% do total.
O sorgo também merece atenção, com expansão de área e produção que deve superar 4,2 milhões de toneladas, consolidando-se como alternativa de rotação e cobertura em regiões do Cerrado. A cultura tem ganhado espaço em sistemas integrados, especialmente em áreas de renovação de pastagens e sob condições de menor disponibilidade hídrica.
Do ponto de vista climático, o levantamento considera um cenário de normalidade nas principais regiões produtoras, com chuvas regulares no Centro-Oeste e no Matopiba. Apesar de eventuais estresses hídricos localizados durante o desenvolvimento das lavouras, a Conab não identificou perdas significativas que comprometessem a média nacional.
A área total semeada com grãos na safra 2025/26 foi estimada em 80,3 milhões de hectares, crescimento de 1,9% ante o ciclo anterior. O aumento é puxado principalmente pela soja e pelo milho, que juntos concentram mais de 85% da área plantada. O algodão e o feijão também apresentaram leve expansão, enquanto o arroz manteve estabilidade.
Para o produtor, a notícia reforça a perspectiva de oferta elevada no mercado interno, o que pode pressionar os preços ao longo do ano. Contudo, a demanda externa segue aquecida, especialmente da China para soja e do Oriente Médio para milho, o que tende a equilibrar as cotações e garantir margens positivas para quem já travou contratos futuros.
Investidores devem observar com atenção os estoques de passagem, que devem superar 10 milhões de toneladas ao final do ciclo. Esse volume, somado à safra recorde, pode gerar pressão baixista nos preços spot no curto prazo, mas também abre oportunidades para arbitragens entre safras e operações de hedge.
A Conab também destacou o avanço da produtividade média, que subiu 0,5% em relação à safra anterior, impulsionada por melhorias genéticas e manejo mais eficiente. A adoção de tecnologias de agricultura digital e de precisão tem contribuído para reduzir perdas e otimizar insumos, especialmente em grandes propriedades.
O levantamento confirma que o Brasil segue na trajetória de consolidar sua posição como maior exportador mundial de soja e segundo maior de milho. A infraestrutura logística, no entanto, continua sendo um gargalo, com gargalos nos portos do Arco Norte e no escoamento ferroviário, que exigem investimentos contínuos.
Em termos de rentabilidade, a relação de troca entre insumos e commodities permanece favorável, com queda nos preços dos fertilizantes e defensivos em dólar. A taxa de câmbio, ainda desvalorizada, favorece a receita em reais dos exportadores, compensando parcialmente a eventual queda de preços internacionais.
Para o próximo trimestre, a atenção se volta para o desenvolvimento das lavouras de milho segunda safra e para a colheita da soja. A Conab deve divulgar novos ajustes nos próximos levantamentos, considerando possíveis impactos de eventos climáticos sazonais, como a entrada do período seco no Centro-Oeste.
Em suma, a revisão para cima da safra 2025/26 reforça o otimismo do setor, mas exige cautela na gestão de riscos de preço e estoques. Produtores e investidores devem monitorar de perto os indicadores de oferta global e as decisões de política agrícola nos principais países importadores.
Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro