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Etanol em SP: equilíbrio entre oferta e demanda sustenta preços estáveis

O mercado spot de etanol no estado de São Paulo encerrou a semana com preços estáveis, reflexo direto do equilíbrio entre oferta e demanda, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A estabilidade, no entanto, não é sinônimo de imobilidade: por trás da aparente calmaria, há movimentos estratégicos de distribuidoras e um reforço sazonal na procura, que merecem leitura atenta de produtores e investidores.

Segundo analistas do Cepea, a maior atuação das distribuidoras no mercado à vista foi um dos fatores determinantes para segurar os preços no patamar atual. Essas empresas, que historicamente operam com margens apertadas, aumentaram suas compras de forma mais agressiva, absorvendo parte da oferta disponível e evitando pressões baixistas sobre as cotações. Esse comportamento sinaliza confiança na demanda futura, especialmente com a retomada das atividades escolares.

O retorno às aulas, aliás, é um vetor clássico de aquecimento do consumo de etanol hidratado, utilizado majoritariamente por veículos leves. Com o fim das férias escolares, houve um incremento natural na mobilidade urbana e, consequentemente, na procura pelo biocombustível nos postos. Esse fator sazonal, somado à logística de distribuição mais fluida, contribuiu para que os estoques não se acumulassem nas usinas, mantendo o fluxo de negócios saudável.

Do lado da oferta, as usinas paulistas seguem operando com ritmo moderado, priorizando a entrega de contratos já firmados e evitando excessos no spot. A safra 2024/25, embora tenha apresentado volume de moagem robusto, tem mostrado um mix de produção mais direcionado ao açúcar, o que reduz a disponibilidade de etanol no curto prazo. Esse fator estrutural, combinado com a demanda aquecida, cria um cenário de preços firmes, mas sem sobressaltos.

Para o produtor, o equilíbrio atual representa uma janela de previsibilidade, mas também exige cautela na gestão de estoques. O Cepea ressalta que, apesar da estabilidade, os valores praticados ainda estão abaixo das máximas históricas, o que reforça a necessidade de estratégias de hedge e venda antecipada. Já para o investidor, o comportamento do mercado spot paulista é um termômetro importante para avaliar a competitividade do etanol frente à gasolina.

A paridade de preços com o combustível fóssil continua sendo um ponto de atenção. Com a gasolina estável nas refinarias, o etanol só se mantém atrativo ao consumidor se seu preço na bomba não ultrapassar 70% do preço da gasolina, dependendo da eficiência do veículo. Até o momento, essa relação tem se mantido favorável em São Paulo, o que sustenta a demanda e evita uma migração em massa para o derivado de petróleo.

Outro aspecto relevante é o impacto das condições climáticas na cana-de-açúcar. As chuvas recentes no cinturão canavieiro paulista, embora benéficas para o desenvolvimento da safra seguinte, têm atrasado a colheita em algumas regiões. Esse atraso, ainda que pontual, pode influenciar a oferta de etanol nas próximas semanas, criando possíveis gargalos logísticos. O mercado, por enquanto, absorve essa variável sem grandes oscilações, mas a atenção deve ser redobrada.

No cenário macro, a política de preços da Petrobras e as oscilações do câmbio continuam sendo fatores exógenos que podem alterar rapidamente o equilíbrio atual. Uma desvalorização do real ou um reajuste na gasolina poderia deslocar a demanda para o etanol, pressionando os preços para cima. Por outro lado, uma queda no petróleo no mercado internacional teria efeito contrário, exigindo das usinas maior eficiência operacional.

O Cepea também destaca que a comercialização de etanol anidro, misturado à gasolina na proporção de 27%, segue em ritmo estável, com contratos sendo renovados sem atritos. Esse segmento, menos volátil que o hidratado, oferece uma base de receita mais previsível para as usinas, o que contribui para a saúde financeira do setor em um momento de juros altos e crédito caro.

Para as próximas semanas, a expectativa é de que o equilíbrio se mantenha, salvo choques externos. A entrada gradual da safra nova, com maior volume de cana disponível, poderá aumentar a oferta, mas a demanda, impulsionada pelo clima mais quente e pela recuperação econômica gradual, deve acompanhar esse movimento. O mercado, portanto, permanece em compasso de espera, com agentes monitorando de perto os indicadores de estoque e o comportamento das distribuidoras.

Em síntese, a estabilidade dos preços do etanol em São Paulo não é um sinal de acomodação, mas sim o resultado de um equilíbrio dinâmico entre forças de oferta e demanda. Para quem atua no setor, o momento exige leitura fina dos sinais de curto prazo, sem perder de vista as tendências estruturais que definirão a competitividade do biocombustível nos próximos ciclos. A recomendação dos analistas é clara: manter flexibilidade operacional e atenção aos movimentos das distribuidoras, que seguem como principais agentes de equilíbrio no spot paulista.

Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro