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Lucro da Pilgrim's Pride despenca 96,2% com oferta acima da demanda
A Pilgrim?s Pride, uma das maiores processadoras de frango dos Estados Unidos e controlada pela JBS, registrou uma queda de 96,2% no lucro líquido do segundo trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado na última segunda-feira, acendeu alertas no setor avícola norte-americano, que enfrenta um desequilíbrio estrutural entre produção e consumo.
A companhia atribuiu o desempenho modesto à forte pressão sobre os preços do frango, combinada com um volume de oferta que superou a demanda doméstica e externa. O lucro líquido do trimestre ficou em apenas US$ 12,6 milhões, contra US$ 331 milhões no mesmo período de 2024 ? uma redução drástica que reflete a profundidade da crise de rentabilidade na cadeia.
Para produtores e integrados brasileiros, que muitas vezes olham o mercado americano como referência de tendências, o dado é um sinal de que o excesso de oferta não é um fenômeno local. A expansão da capacidade produtiva nos EUA, impulsionada por investimentos pós-pandemia, colidiu com uma demanda estagnada, especialmente no segmento de food service, que ainda não se recuperou totalmente.
A JBS, que controla a Pilgrim?s Pride desde 2009, sentirá o impacto nos seus resultados consolidados, já que a operação norte-americana de frango representa uma parcela significativa do faturamento global da companhia. Investidores devem monitorar os próximos balanços da holding brasileira para avaliar se a estratégia de diversificação para outras proteínas (bovina, suína, plant-based) conseguirá compensar a fragilidade avícola.
Do ponto de vista analítico, a queda de 96% não é fruto de um evento único, mas sim de um ciclo de baixa que se arrasta há pelo menos três trimestres. A Pilgrim?s Pride já havia reportado lucro 40% menor no primeiro trimestre de 2025, e o segundo trimestre agravou o cenário com a combinação de preços spot do frango nos EUA perto de mínimas históricas e custos de milho e soja ainda elevados em relação aos níveis pré-pandemia.
A oferta excessiva decorre, em parte, do aumento da produção de frango nos últimos dois anos, estimulado pelos altos preços de 2022 e 2023. Quando a demanda desacelerou, os estoques se acumularam, forçando as processadoras a reduzir margens para escoar o produto. A Pilgrim?s Pride, que opera 35 plantas nos EUA e no México, vem tentando ajustar o ritmo de abate, mas o processo é lento e caro.
Outro fator relevante é a concorrência com outras proteínas. O preço da carne bovina e suína também caiu, reduzindo a vantagem relativa do frango, que historicamente é a proteína mais barata. Com consumidores norte-americanos mais cautelosos devido à inflação e ao endividamento, a substituição por cortes de carne vermelha mais baratos ou por alternativas vegetais diminuiu a procura por frango.
Para os investidores, o cenário sugere cautela. As ações da Pilgrim?s Pride (PPC) caíram cerca de 25% no acumulado do ano, e a empresa pode rever sua política de distribuição de dividendos ou recompras de ações. A JBS, por sua vez, pode precisar injetar capital ou reestruturar operações na subsidiária, o que impactaria a alavancagem financeira do grupo.
No médio prazo, a expectativa é de que o mercado se reequilibre, mas não antes de meados de 2026. Analistas preveem que a redução de plantéis e o fechamento de linhas de produção menos eficientes ? movimento já iniciado por concorrentes como Tyson Foods e Sanderson Farms ? devem levar a uma normalização dos preços. Enquanto isso, produtores brasileiros que exportam frango para os EUA precisam acompanhar de per
Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro