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Demanda firme e prêmios elevados sustentam preços da soja no Brasil

O mercado interno da soja brasileira segue amparado por uma combinação de fatores que mantêm os preços em patamares atrativos, conforme aponta o mais recente levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A valorização dos prêmios de exportação, aliada a um cenário geopolítico incerto, tem reforçado a tendência de alta da oleaginosa no mercado spot, beneficiando produtores e gerando sinais positivos para investidores do setor.

A demanda doméstica pela soja permanece robusta, impulsionada pelo ritmo acelerado das indústrias de esmagamento e pela necessidade de cumprir contratos de exportação já firmados. Esse aquecimento, somado à oferta limitada de soja disponível em algumas regiões, cria um ambiente de preços sustentados, mesmo diante de uma safra recorde projetada para 2024/25.

Os prêmios de exportação, que refletem a diferença entre o preço no porto e a cotação internacional de referência (CBOT), registraram ganhos expressivos nas últimas semanas. Esse movimento é explicado, em parte, pelo aumento da procura chinesa por soja brasileira, em meio a tensões comerciais entre Pequim e Washington. A China, maior compradora global da oleaginosa, tem priorizado origens alternativas aos Estados Unidos, elevando o valor do prêmio pago pelo produto nacional.

O cenário geopolítico também exerce influência direta sobre as cotações. A instabilidade no Mar Negro, decorrente do conflito entre Rússia e Ucrânia, reduz a oferta de óleos vegetais e grãos concorrentes, como o girassol e a colza. Essa escassez relativa direciona a demanda global para a soja, especialmente a brasileira, reforçando as expectativas de preços elevados no curto prazo.

Para os produtores, o momento sugere a oportunidade de realizar vendas com margens confortáveis, especialmente para aqueles que ainda mantêm estoques de safras anteriores. O Cepea recomenda atenção às janelas de comercialização, uma vez que a volatilidade cambial e as oscilações do clima nos Estados Unidos podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda.

Investidores devem monitorar de perto os indicadores de prêmio e a evolução das exportações brasileiras. A manutenção do ritmo de embarques, combinada com a possível quebra de safra na Argentina devido a condições climáticas adversas, pode prolongar o ciclo de alta. Por outro lado, uma normalização das relações comerciais sino-americanas ou uma supersafra no hemisfério norte poderiam reverter parte desses ganhos.

A logística interna também merece destaque. O escoamento da safra recorde via portos do Norte e Nordeste tem sido eficiente, reduzindo os custos de transporte e ampliando a competitividade do produto brasileiro. Esse fator estrutural contribui para que os prêmios de exportação se mantenham acima das médias históricas.

No mercado spot, as cotações da soja em grão registraram valorização média de 2,5% na última semana, segundo dados do Cepea. As principais praças comerciais, como Sorriso (MT), Rio Verde (GO) e Londrina (PR), refletem essa tendência, com preços oscilando entre R$ 140 e R$ 150 por saca de 60 kg, dependendo da região e da qualidade do produto.

Para o médio e longo prazo, o cenário permanece favorável, mas exige cautela. A expectativa de uma área plantada recorde nos Estados Unidos e o ritmo de semeadura no Brasil podem pressionar as cotações no segundo semestre. No entanto, a demanda firme por farelo e óleo de soja, tanto no mercado interno quanto externo, tende a oferecer um piso sólido para os preços.

Em resumo, a soja brasileira vive um momento de equilíbrio dinâmico, sustentado por fundamentos sólidos de demanda e por fatores geopolíticos que beneficiam o país. Produtores e investidores que acompanham de perto os indicadores de prêmio, câmbio e clima têm condições de extrair o máximo valor nessa janela de oportunidades. O Cepea continuará monitorando as variáveis para oferecer análises tempestivas ao setor.

Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro