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Milho e soja corroem poder de compra do avicultor
O indicador de poder de compra dos avicultores brasileiros registrou nova contração no último mês, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A relação de troca entre o preço do frango vivo e os custos dos principais insumos ? milho e farelo de soja ? piorou, sinalizando margens mais apertadas para o setor.
O cálculo do poder de compra mede quantos quilos de milho ou farelo de soja um produtor consegue adquirir com a venda de um quilo de frango vivo. Quando esse índice cai, significa que o avicultor precisa desembolsar mais para manter a mesma quantidade de ração, reduzindo sua capacidade de reinvestimento e lucro.
A alta do milho é o principal vetor dessa pressão. O cereal responde por cerca de 60% a 70% da composição das rações avícolas. A elevação dos preços internos reflete a combinação de oferta enxuta, com a segunda safra ainda em fase de colheita, e forte demanda tanto do mercado interno quanto das exportações, que seguem aquecidas.
O farelo de soja, por sua vez, também contribuiu para o aperto. A cotação do derivado da oleaginosa subiu impulsionada pela valorização do grão no mercado internacional e pela taxa de câmbio favorável às exportações brasileiras. Para o avicultor, o custo da proteína vegetal na ração tornou-se mais salgado.
Do lado da receita, o preço do frango vivo não acompanhou o ritmo de alta dos insumos. A oferta de carne de frango continua elevada, com os abates em níveis recordes, enquanto a demanda doméstica mostra desaceleração, pressionada pela renda mais baixa do consumidor e pela concorrência de outras proteínas, como a carne bovina, que tem registrado quedas de preço.
O cenário impõe desafios operacionais para os produtores. A margem líquida, que já vinha comprimida desde o início do ano, tende a se estreitar ainda mais se as cotações do milho e do farelo de soja não recuarem nas próximas semanas. Pequenos e médios integrados são os mais vulneráveis, pois têm menor poder de barganha na compra de insumos e maior dependência de contratos de integração.
Para o investidor, a notícia sinaliza cautela com ativos ligados à avicultura de corte. Empresas integradoras que detêm maior controle sobre a cadeia de suprimentos e conseguem repassar parcialmente os custos ao consumidor final podem sofrer menos, mas o risco de margens deprimidas afeta o apetite por papéis do setor no curto prazo.
O Cepea destaca que a relação de troca atual está nos piores patamares dos últimos 12 meses. Caso a oferta de milho da safrinha se normalize e a demanda externa por farelo de soja arrefeça, o poder de compra pode se recuperar no segundo semestre. Contudo, a volatilidade cambial e as incertezas climáticas mantêm o cenário imprevisível.
Produtores devem redobrar a atenção à gestão de custos. Ferramentas como hedge de insumos, negociação antecipada de contratos e ajuste na densidade de alojamento podem ajudar a mitigar os efeitos da atual assimetria de preços. Acompanhar os boletins do Cepea e as cotações diárias da B3 é essencial para decisões táticas.
Em resumo, a avicultura brasileira atravessa um período de teste de resiliência. A recuperação do poder de compra dependerá de um equilíbrio entre oferta e demanda de grãos, da evolução das exportações de carne de frango e da capacidade do setor de ajustar seus
Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro