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Projeção: DDG pode alcançar 15 MT/ano no Brasil até 2030

A produção brasileira de DDG (Dried Distillers Grains), coproduto do etanol de milho, está projetada para uma expansão significativa, com estimativas apontando para a marca de 15 milhões de toneladas anuais até o final da década. Este crescimento expressivo é impulsionado por uma confluência de fatores, incluindo a consolidação da indústria de etanol de segunda geração a partir da matéria-prima de grãos e a crescente demanda internacional por este insumo valioso para a nutrição animal.

O avanço do etanol de milho no Brasil tem sido um motor fundamental para o aumento da oferta de DDG. A expansão das usinas que utilizam o grão como matéria-prima, aliada a investimentos em tecnologia e eficiência produtiva, tem elevado o volume de DDG gerado como subproduto. Essa tendência se alinha com a busca por fontes de energia renovável e a diversificação da matriz energética brasileira, posicionando o país como um player relevante no mercado global de biocombustíveis e, consequentemente, de seus coprodutos.

Paralelamente à crescente produção interna, a abertura de novos mercados internacionais para o DDG brasileiro representa um vetor de crescimento estratégico. A recente aprovação para exportação a países como China e Chile sinaliza um potencial de absorção considerável para o coproduto. A China, em particular, com sua vasta indústria pecuária, apresenta uma demanda latente por ingredientes de alta qualidade para ração animal, onde o DDG se encaixa perfeitamente devido ao seu perfil nutricional.

O DDG é reconhecido por seu alto teor de proteína, energia e fósforo, tornando-o um componente altamente desejável na formulação de dietas para bovinos, suínos e aves. Sua inclusão pode otimizar a conversão alimentar, reduzir custos de produção e melhorar a saúde e o desempenho dos animais. A qualidade e a consistência do DDG brasileiro, aliadas a uma logística eficiente, são fatores cruciais para a consolidação desses novos mercados.

Para os produtores de milho, o aumento da demanda por DDG representa uma oportunidade de agregar valor à sua produção. A venda do grão para usinas de etanol, que consequentemente geram DDG, pode se tornar uma fonte de receita adicional e mais resiliente. Além disso, a crescente valorização do coproduto pode influenciar positivamente os preços do milho, criando um ciclo virtuoso para o setor.

Do ponto de vista dos investidores, o cenário de expansão do DDG no Brasil apresenta um panorama promissor. O setor de etanol de milho, e seus coprodutos, tem atraído capital nacional e internacional, impulsionado pela demanda crescente por proteínas e pela busca por soluções sustentáveis na cadeia produtiva de alimentos. A diversificação de portfólios com investimentos em usinas de etanol de milho e em empresas ligadas à produção e comercialização de DDG pode ser uma estratégia interessante.

A capacidade de processamento e a infraestrutura logística para o escoamento do DDG, tanto no mercado interno quanto para exportação, serão determinantes para que o Brasil atinja e supere as projeções atuais. Investimentos em terminais portuários, transporte ferroviário e rodoviário, além de armazéns, serão essenciais para garantir a eficiência e a competitividade do produto brasileiro no cenário global.

A consolidação do DDG como um ingrediente de ração de referência no mercado internacional também demandará um esforço contínuo em pesquisa e desenvolvimento. O aprimoramento das técnicas de secagem e processamento, a caracterização nutricional precisa e a garantia de conformidade com os padrões sanitários e de qualidade de cada país importador são aspectos que agregam valor e fortalecem a posição do Brasil.

A sustentabilidade da produção de etanol de milho e DDG também é um ponto a ser destacado. A eficiência no uso da água, a gestão de resíduos e a pegada de carbono associada à produção são fatores cada vez mais relevantes para consumidores e investidores conscientes. A adoção de práticas sustentáveis não apenas fortalece a imagem do setor, mas também garante a sua viabilidade a longo prazo.

Em suma, a projeção de crescimento robusto na produção de DDG no Brasil reflete um setor em franca evolução. A sinergia entre a expansão do etanol de milho, a abertura de novos mercados e a crescente demanda global por ingredientes nutricionais de qualidade posicionam o país como um protagonista nesse segmento, gerando oportunidades significativas para produtores, investidores e toda a cadeia produtiva agroindustrial.

Autor/Fonte: Equipe CAMORIM Agro